16 de junho de 2021

Uso de celulares e fones de ouvido no trânsito pode causar tragédias

Aquela olhadinha rápida na rede social após o celular apitar enquanto dirige. Uma foto no trilho enquanto o trem se aproxima. A música alta no fone de ouvido ao atravessar a rua. Três exemplos de comportamento que, em poucos segundos, podem causar uma tragédia.

Esta relação entre o uso da tecnologia e a violência no trânsito foi tema de debate virtual proposto pela Prefeitura de Curitiba nesta quinta-feira (6/5), como atividade integrante desta edição do movimento Maio Amarelo.

“Estudos científicos fazem equivalência e apontam que usar o celular é tão nocivo quanto dirigir sob efeito de álcool”, lembrou o secretário municipal de Defesa Social e Trânsito, Péricles de Matos.

Casos de motociclistas falando ao celular também não são difíceis de encontrar no trânsito, conforme observou a superintendente de Trânsito, Rosangela Battistella.

“São comportamentos abusivos que demonstram essa dependência das pessoas pela tecnologia, de não se conseguir impor limites para o tempo conectado ou mesmo de conversas pelo aparelho”, apontou ela.

O desafio é utilizar as facilidades de um mundo interligado de uma forma saudável e sem descontrole, seja por pedestres, ciclistas, motoristas ou motociclistas.

“Já temos experiências no mundo de estruturas totalmente inteligentes, com casas adaptadas (geladeiras e armários que fazem a reposição automaticamente) e carros autopropulsados”, exemplificou o diretor da Escola Pública de Trânsito (EPTran), Claudionor Agibert.

No trânsito, e no Brasil, não é diferente. “O brasileiro é apaixonado por carro e hoje tudo está conectado, com informações relevantes ao alcance de poucos cliques, como a tecnologia que avisa sobre a aproximação do ônibus. Mas os fatores altos de risco também se propagam”, disse Mauro Gil, que é vice-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) e coordenador da Câmara Setorial de Mobilidade e Trânsito da Associação Comercial do Paraná.

Uma análise científica sobre essa dependência foi apresentada pela pesquisadora Cineiva Campoli Tono, membro-fundadora do Instituto Tecnologia e Dignidade Humana.

“Infelizmente convivemos com este lado sombrio do uso inadequado e inconsequente das tecnologias. Curitiba é referência nessa reflexão”, afirmou ela, reforçando que novas ações continuarão sendo desenvolvidas para chamar a atenção da sociedade para o problema.

A íntegra do debate pode ser conferida pelo Youtube da Prefeitura.

Análise do Programa Vida no Trânsito (PVT)

Distração e imprudência no trânsito estão entre os cinco principais fatores e condutas que contribuem para acidentes graves em Curitiba. Análise do Programa Vida no Trânsito (PVT) feita nos últimos anos pela equipe da Prefeitura (Saúde e Setran) com instituições parceiras, sobre os acidentes fatais que ocorrem na cidade aponta que, além do celular, que ainda é a distração mais comum e perigosa, o fone de ouvido tem aparecido com frequência como fator que contribui para acidentes.

Já foram constatados casos da presença do fone de ouvido em acidente envolvendo ciclista na canaleta exclusiva para o transporte coletivo (onde há proibição para bicicletas) e em atropelamentos.